quinta-feira, 4 de março de 2010

Amar(go)

Durante algum tempo fui viciada em açúcar. Passar algumas horas sem era motivo de grande desespero, então decidi largar o vício. As tentativas vãs de ficar completamente livre de açúcar levaram-me somente a consumi-lo em quantidade maior ainda tão logo fosse possível. Até que um dia deram-me uma dica: beber o primeiro gole do suco ou café sem açúcar, adoçando-o depois; na vez seguinte beberia os dois primeiros goles sem açúcar; depois três... até habituar-me a beber tudo sem açúcar.

Funcionou.

O vicio é como o amor. Um dia sem era impossível, mas, quando vi, passaram meses. Tomei o conselho de Drummond: "sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será". Ternuras adiadas também amargam a vida, não há o que fazer.

Contudo, há momentos que até o maior amor reconhece sua insignificância, assim como o açúcar: totalmente vão diante de um café expresso.

Hoje, amargo é o doce da vida.

3 comentários:

Anônimo disse...

"não há o que fazer..."
.
...
??

Yuri disse...

Também larguei o açúcar, agora adoço tudo com Stevia. Já provou? Recomendo a leitura do livro "Sem açúcar com afeto"...

Anônimo disse...

lembrei de uma poesia que lembrei de vc:

Cantiga de embalo

Estás vendo aquela estrela
como está te olhando tanto?
Ela quer falar contigo.
Estrela sabe o que diz,
só fala quando é preciso
dar um recado, um aviso.

Te lembras? Foi uma estrela
que aos reis magos ensinou
o lugar onde o Menino
dormia na manjedoura.

Olha o jeito da luz dela.
Talves queira te chamar
para a graça da ternura,
desperdiçada fundura
perdida da tua vida.

Thiago de Mello