sexta-feira, 14 de dezembro de 2007


Parece-me que é preciso.
É preciso não perder o crepúsculo.
É preciso assistir ao crepúsculo de olhos bem abertos,
sentar-se junto a uma árvore
e ouvir-lhe as confissões enquanto anoitece..
É preciso sentir o cheiro das seis horas,
o melancólico cheiro da noite que se chega.

Aconteceu que uma vez permaneci horas contemplando o firme azul do céu vespertino...
cerrei os olhos.
quando dei por mim, era noite e eu havia perdido algo.

Como suportar o breu do meio-tempo,
do meio-termo,
do meio-beijo?
De(quase)certo, o belo azul há de voltar.
Contudo, a noite que se chega pode ser a última,
pode ser a para sempre,
pode ser a para nunca...
e vai que ela me encanta.

Parece-me que é preciso ainda mais.
É preciso não se perder no crepúsculo.
É preciso estar só no meio da sanidade
e sã, em meio à solidão.
Melancólica, firme, só e sã,
pois a noite que se chega,
ela pode ser a última.