terça-feira, 14 de agosto de 2007

Nessas horas de solidão, de braços e boca vazios, vem-me a saudade dos meus amantes baratos. Depois que me retirei do mundo, o mundo se retirou de mim. Será que meu ao redor ainda me surpreende? Será que ainda me movo de mim? Minha libido está suprimida pelos remédios. E o amor, pelo tédio.
Agora só há falta.
Falta que não quer.
Falta que não ama.

para Clementina

Porque vieste não sei.
Só sei que, sem ti, já não sei.
Vieste calada
Minha outridade querida
Ausente em absoluto de mim
Minha amante, amada, mãe e irmã
Vida, vida, vida
...
Eu te abortei.
Perdoa-me!
Que eu hei de perdoar-te por teres ressucitado.

Desculpa, eu te amei.
(Bem sei que isso é imperdoável)
Não, eu te viscerei.

Estranha que me entranha,
teu cabelo foi meu travesseiro por tanto tempo e eu nem notei.