quinta-feira, 7 de junho de 2007

Amor de cada dia
Me ama hoje
Aceita nossa efemeridade
Assim como aceito a efemeridade do caso de amanhã
E que não caiamos no tédio...
Amemo-nos.
Por hora, fica a dor do amanhã
a eterna saudade do que se passa agora
Vivo tudo com esse peso
Felizes são os ignorantes
Vivo tudo ciente de sua iminente diluição
Vivo com retinas cansadas de tanto passado
de ver o passado no presente
de ver o presente como passado...

O mundo inteiro parece já ter passado,
em especial as novidades.

Por hora, estou com leve inclinação para o tédio,
para as tarefas repetitivas e docemente fatigantes,
que é quando desperta a parte menos bruta de mim.

Por hora, não ser se estou com uma tristeza difícil
ou com uma alegria fácil.
Em verdade, quero apenas me morrer em tudo que há de exterior a mim,
matar tudo do que preciso precisar
e deixar pegadas apenas nas vielas mais escuras da alma.
Lembro-me que já escrevi versos de amor em folhas caídas.
Ninguém teve o cuidade de conservar a folha.
Nem, muito menos, o sentimento.
E ambos pereceram.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Longe, longe, longe...
Os gatos, as papoulas e a pedra em forma de mão
As goiabas, as galinhas e o começo da minha terna solidão

Mundo, mundo, doce mundo...
Em qual de meus labirintos me perdi?
Quando foi que essa muralha começou a dividir meu reinado?

Em meus mapas, não há caminho de volta...
Não há volta.
Talvez meu erro foi acreditar que a felicidade estava além da cerca de estacas e arame que delimitava meu reino.