segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Te tenho em mim
não como tatuagem,
mas sim como úlcera,
como coisa que não vejo
e sinto doer de quando em vez.
Te tenho em mim tão inconscientemente
como minhas artérias viscerando cá dentro
sem eu me dar conta.
Te tenho como sono e te durmo.
És em mim como súbito desejo de banho de chuva em noite quente de novembro.
Em verdade, eu queria te chover.
Te ter em ti
Tocável
Visível...
Te ter ali e além
Te ter como meu bem
Enfim, te ter em mim.
Nas minhas fantasias reais,
você me pariu de mim.
Você foi a pá,
enquanto eu estava enterrada viva.
Foi o abrigo que eu não procurei
quando você se transformou em tiroteio.
Encantado e encantador,
alento e dor,
teus nãos e tuas ausências me consumindo...
Você, para quem eu sou os cantos de um mundo redondo,
para quem eu sou ponto cego,
para quem eu sou fundo.
VocÊ, meu amigo de outras vidas,
meu pai, meu irmão...
E agora, reta paralela a mim.
Só sei que o infinito ainda não é chegado
porque nós dois ainda não nos encontramos.