sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Eu que não amo ninguém...

Eu fugi.
E olha a que ponto eu cheguei:
não tenho as pedrinhas de brilhante pra ladrilhar a rua pra o meu amor passar.
Eu me transformei nesse monstro egoísta que aqui está caído no chão.
Só. Infinitamente.
Eu sou o corpo e o olhar que grita surdamente.
O que me resta, está sendo gritado agora...
Você não ouve...
E eu grito mais e ninguém ouve...
Eu sou o corpo sem mãos e sem olhos.
Eu sou o gigante que se ajoelha diante da borboleta delicada.
E aqui quedo.
Aqui fico.
A muralha cai.
Cai...
E não estou preparada para o sol.
Eu não sei nadar nas lágrimas.
Mas posso aprender, talvez...
Aprendi tantas coisas inúteis... Treino, concentração...
Sei bordar, sei cozinhar, sei histórias pra te contar...
Versos doces, carinhos...
E essas mãos vazias!!! Olhe! Estão vazias...
Os livros, a experiência... nada serve.
Nada basta se não há ouvidos, nem olhos, nem bocas, nem mãos...
Aqui.
Agora.

Um enorme universo construído que sequer me permite chegar ao outro lado da rua, do estado... ou a qualquer lugar que haja um ouvido.

De que vale?
De que vale?
Se não tenho pedrinhas de brilhante pra ladrilhar a rua para o meu amor passar?
E, caso tivesse, não haveria amor pra passar...
Ninguém se dispõe.

Caso alguém com ouvidos e olhos queira adoçar um pouco sua vida, esquecendo até a dor de vez em quando, procure o gigante que aqui se ajoelha diante da borboleta delicada.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

A desconhecida

O que há além do jardim?
Além das tulipas e miosótis,
Além do sol e doce brisa,
Além das delicadezas e pequenas ternurinhas
O que há?

Não me pergunte...
Não me pergunte!
Quando me tiveres conhecido
Verás o sombrio bosque que há.

E o que há além do bosque?
Além das sombras e espinhos,
Além dos galhos secos e retorcidos,
Além do perigo,
Das dores velhas e remoídas,
Dos grandes medos,
Segredos,
Além do teu obscuro
E misterioso “eu”
Dos teus venenos
que fizeram lar do bosque
O que há?

Não me pergunte...
Não me pergunte!
Nem quando me tiveres conhecido
Nem quando tiveres enjoado do jardim
Nem quando enfrentar o bosque
...
Creio que jamais conhecerás o que há além...

Os meus domínios
(Ou o que eu não domino)
que eu não sei explicar
nem entender...
Os meus fardos
E meus tesouros
Que não compartilho
Às vezes por não saber
Às por não querer...

Ah... Esse meu mundo que eu não posso te contar
Basta sentir
Caso queira
Caso possa.