terça-feira, 5 de dezembro de 2006

*sobre a angústia e a insônia depois de um vômito espiritual incompleto

Tenho ciclos de cinco horas de sono.
E acordo com o alvoroço dos "dos outros",
Dos "não-meus".
Sempre desperto para o não-meu
Ao acordar nem sei se sou gente
Acordo tão recolhida,
tão resumida,
que minha modesta cama de solteira
Parece mais um deserto.
Eu me desertifiquei.
Aos poucos, lembro que há sóis e céus lá fora.
É bom lembrar que há céus e sóis.
Me dá a calma dos pequenos.
Há céus, sol, mar, vento
Tudo há
O que falta?
Tempo
E tempo é o que me sobra
Palavras me sobram
E tudo o que me excede,
corre para os mares do mundo
E deixa seu sentido cá,
Sufocado.

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