sábado, 23 de dezembro de 2006

* aos meus amores doismileseisianos

E no meio dessa dormência mental
Me vem essa dor...
A dor de ver minha faca limpa, sem sangue...
Quando era tempo,
Não a cravei no peito teu,
Para roubar-te um pedaço do teu coração.
Mas a pus no meu
E me espantei ao não ver sangue
Ao vê-la entrar seca
E sair seca.
Do buraco que ficou,
Brotou flor pálida
Que agora dou colorido calmamente
Antes que murche.
E agora,
De quando em vez,
Até sinto pulsação,
Até sinto coração que bate por si só,
Até sinto que há artérias viscerando cá dentro
E não crescendo rumo às entranhas de outrem, como era de costume,
E até sinto que há vida em mim
Vida feita tão-somente da matéria-prima de que é feita a vida
Nem mais nem menos.

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