quinta-feira, 2 de junho de 2011

Nunca pensei que
para te
tivesse mais que te.

Exigência terrível essa.
Mais
Sina.
Já fora dito:
que pode uma criatura
senão...

Que posso eu
senão...

Pudera não.
Pudera guardar para mim.

Tolice dar-se.
E para mim, que sobra?

Nunca me dera.
Dei uns dias
um sorriso
um sim
a talvez.

E a você,
quisera não,
mas me dei.

Não, ruim não é se dar.
Ruim é ser pouco.
É faltar tanto ainda.

Ruim é querer
e não alcançar o teu querer.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sobre o amor sim

Algumas pessoas reclamaram do amargo de minhas palavras amorosas. Venho agora dizer, então, que as doces existem também. Bobas que pareçam. São raras e ditas em segredo. Mas um amor que teve tantas vezes suas dores gritadas aqui, também merece os sussurros do melhor do amor.

 

Meu bem,

preciso falar

da falta que sinto

do seu cheiro

no meu respirar,

do seu calor

na minha cama

e do seu beijo

no meu.

Preciso dizer

que o amo.

Assim

e tanto

quero você.

domingo, 15 de agosto de 2010

Distrair não sara a dor

Nem amansa

Essa dor do sempre doer

Rói na cabeça mais do que dúvida

Racha o peito mais do que desesperança

Que fazer?

 

Por mim e comigo sofres mais do que goza

É errado.

Mais que isso

É desperdício dos melhores anos.

Os de saúde boa.

Memória fraca não tens,

Mas rezemos que isso passe.

 

E, enquanto não passa, que fazer?

 

A viva cor do mal nos perseguirá antes de dormir.

E o perfume quase eterno da flor da mágoa

nos povoará os sonhos.

domingo, 16 de maio de 2010

Você entra em casa e em mim
sem saber de todo o mais.

O mais é que existem tardes de domingo,
vícios a me consumir,
sonhos rotos,
desilusão.

O mais é que amar é a pior solidão que já conheci
e a quase morrer estou.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Acordar

De prata a lua me banha,
de ouro o sol me aviva
e pássaros me convidam a dançar.

Rimar sei tanto quanto sorrir.
Mas as manhãs, ora mais,
alimentam-me de rimas.

Nasce, então, do pouco que restou
algo que me arrasta para a vida
e que, de tão pequeno,
não posso destruir.

Levanto, pois.
Café, torrada, sambinha bom.
Ê coragem, cadê você?
Pra quê?
A vida, a vida, a vida...
Ela não está aí fora.
Está cá dentro,
me entranha
e me goza.

Contida?
Como quiser.
Como querer.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Aquelas manhãs de domingo

Acordar e saber-se feliz.
Na cama clandestina,
dorme tranqüilo o homem amado.
Encantada, mal respira
e guarda na memória o calor dos corpos
que, sabe bem, tanta falta fará.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Oh José
Essa chuvinha molha parvos
que cai cá dentro
turva-me a vista
e dá um frio da moléstia,
faz com que ela caia aqui fora
e corra, corra, meu santo.
José, para onde?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amar(go)

Durante algum tempo fui viciada em açúcar. Passar algumas horas sem era motivo de grande desespero, então decidi largar o vício. As tentativas vãs de ficar completamente livre de açúcar levaram-me somente a consumi-lo em quantidade maior ainda tão logo fosse possível. Até que um dia deram-me uma dica: beber o primeiro gole do suco ou café sem açúcar, adoçando-o depois; na vez seguinte beberia os dois primeiros goles sem açúcar; depois três... até habituar-me a beber tudo sem açúcar.

Funcionou.

O vicio é como o amor. Um dia sem era impossível, mas, quando vi, passaram meses. Tomei o conselho de Drummond: "sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será". Ternuras adiadas também amargam a vida, não há o que fazer.

Contudo, há momentos que até o maior amor reconhece sua insignificância, assim como o açúcar: totalmente vão diante de um café expresso.

Hoje, amargo é o doce da vida.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Lasciate ogni speranza

Até hoje esperei um milagre.
Contudo, atravessar este portal
deixou-me um gosto acre
e a esperança (qual?),
me despi dela.

Parece-me que a nudez da ilusão
é mais pesada.
Os ombros envergados,
as lágrimas represadas
e a trave na língua.

Só.
Sigo a solidão que é não precisar.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Mas que diabos vem a ser uma mulher?
Oh! Animal sem alma
e sem respostas.
Puro desejo inexprimível.

Talvez desejo.
Sem ser nada.