terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Lasciate ogni speranza
sábado, 26 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
É vazio
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Insônia
tão somente a personificação de um excesso
do resto e de sua conseqüência.
Arde sem destino
enquanto houver o que consumir,
ardendo-se.
Já estava dito.
Eu ouvi,
mas não vi.
Eu sabia,
mas não usei.
A primeva bifurcação
gera o único intervalo
no qual me admito erigir uma muralha.
segunda-feira, 23 de março de 2009
mulher
como única lembrança
dos lugares de onde venho.
Trago nos olhos rasgados
um abismo de desmemórias.
Trago no seio um animal sem alma.
Sem platonismo.
Sem calma.
E o que me traz
é o desejo de ser desejada
e nada mais.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Felicidade
Não…
Quisera eu nunca tê-la tocado.
Afaga-nos com uma mão,
distrai-nos deliciosamente
e, com a outra, crava o mais fino punhal
delicadamente…
Sequer dói, posto que estamos distraídos
mas também não é esta a questão e o objetivo.
O punhal toca levemente
a bolha que resguarda
o fel dentro da gente.
Quando retira a mão que afaga,
o que tão bem escondido estava
espalha, espasma, entranha…
A vida se perde.
Não… continua.
É agora a dor.
É saber que continua.
Então começamos
as mágoas d’alma limpar
e para tudo que juntamos
não encontramos melhor lugar
que nosso mais profundo lar
(inviolável acreditamos,
mas o ciclo é continuado
no próximo amar).
P.S.: Sempre tive inveja de um amigo que fazia PSs jocosos, eis minha tentativa: Sim, eu me inspirei um pouco na vesícula biliar… Ia até rimar direitinho e iria ficar um fim ótimo, embora pouco poético:
Então começamos
as mágoas d’alma limpar
e para tudo que juntamos
não encontramos melhor lugar
que a vesícula biliar.
^^
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Ora, se tua hora é chegada,
não se vá aos pedaços,
que uma facada só já me basta.
Ora, se teu tempo é chegado,
não conte nossos pecados
do que já se passou.
Diga apenas o que há de doce,
o bom e bobo dos amores,
a carne quente,
as noites ardentes,
os sussuros,
atrás de um muro,
manhãs de domingo,
a graça do perigo
e tudo mais que vivi contigo.
E não pergunte se bem eu fiquei,
o luto é lei
para que esse amor
não seja apenas delicadeza,
mas sentida dor.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
uma pausa sem versos.
Pode parecer óbvio, mas somente há muito pouco me veio a iluminação do porquê as pessoas fumam, razão que também está me tentando a fazê-lo. É simples: uma desculpa para afastar-se das pessoas sem ofendê-las. É perfeitamente justificável dizer:
- Vou ali fora, fumar um cigarro, volto logo…
No máximo diriam… ah… acabando com sua vida…. blablabla.
Já se fosse dito assim:
-Estou um pouco entediado, vou ali fora me entrenter com meus próprios pensamentos.
Já se sabe…
Outra: ocupa os momentos de ócio, sem prejudicá-lo.
E, por fim, encurta a vida.
Sou uma viciada a priori.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Minguando…
Se não sabe o que quero.
uma contradança, senhor.
Se não sabes o que gosto,
palavras bonitas, senhor.
O que me desagrada é teu desagrado
teu destino desatinado
que tenta me excluir
mesmo que docemente.
Se não sabes o que sou,
mulher minguante, senhor.
Foi o que tuas palavras incisivas
fizeram e fazem de mim.
E preciosa já não sou,
mas guardo com zelo,
os restos tristes de meu sorriso,
que já te ofertei com tanto gosto.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Dignidade, antes que tarde II
Desculpa, não leio silêncios
Devias saber que só sei gerá-los,
Assim como gero culpas,
sem saber tê-las pra mim,
remoê-las
remoê-las
não…
Não sou senhora dessas coisas.
Sou senhora e só.
Medíocre e sozinha,
mas não o direi nunca mais.
Dignidade, antes que tarde.